sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Madrugada


Finjo não estar aqui
Pois não quero que perceba
Assim tão perto e longe
Não quero atrapalhar
Esse teu sono tão bonito
Sono, sonho e luar

Fico aqui como anjo da guarda
E te toco com o vento lá de fora
Sussurro nos teus ouvidos
O silêncio da madrugada
Beijo tua boca até secar
Teu mar rosa, rosa cor de mar

Ainda sim não acordarás
Do teu sono leve de cinco penas
Mas quando acordares, já terei partido
E tua cama de ponta a ponta revirada
Quando pensares que sonhaste comigo
Não foi sonho nada, ali mesmo eu estava

Com sorrisos correrás teu dia
E cada ruela que passares, estarei lá também
Fingindo ser uma “qualquer pessoa”
Que não sabe nem onde está
Pra passar despercebida
O dia todo, todos os dias

Pois é de noite que te vigio
Quando deitas em tua cama
E logo fecha os olhos
Para o escuro não ver
Estou lá bem quietinha 
Mais uma noite a te zelar

Então dorme, minha menina
Dorme logo e bem calminha
Pra poderes me escutar
Não sei bem fazer poesia
Não sei bem como rimar
Mas me encanta te amar.

domingo, 24 de outubro de 2010

Desabafo






Ninguém quer confissões aqui. E nem é, sabe? E nem é importante... Só um pouco... Um pouquinho. Como se ela tomasse um copo de cerveja, fumasse um Marlboro e mandasse uns três tomarem no cu. É mais ou menos isso... Isso aqui. Que não pretende ser confissão nem lembrança. Nem emocionante, nem inteligente. Nem valerá a sua presença aqui..

E não quero mais o que não posso ter. Assim estamos livres para sermos um. Só isso. Comuns são os casais. Nós não somos nada. O problema é que quero muitas coisas simples. Então pareço exigente. Não posso fazer nada. Então choro, paro, espero, te esporro com mil xingamentos. Você pode se divertir, você pode ter pena de mim.

Vamos...Vamos logo subir essa escada que leva o amor ao último andar. Então vamos. Segura firme no corrimão. Respire fundo. Subir tão alto dá vertigem e olhar para trás deixaria-nos cair. Os erros são medusas. Arrancam as nossas lembranças boas e tatuam os desaforos e mágoas. Por isso marche. Sinta o meu perfume enquanto o tempo sopra esse bafo de mudança.

Lembre-se ou esqueça-se de mim. Coração quebrado tem cura. A paz de não precisar mais aguardar a perfeição que não existe. Quero somente amortecer os erros e mudar de idéia. Quem sabe o por quê do que?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

As cores



Desaparecer... Isso soa mais agradável quando escuto o vento que insiste em cantar ao bater na persiana da janela desse lugar. É um canto macio com puxadas bruscas, que leva meu pensamento, tira de mim o barulho e o silêncio, esquece de mim assim como lembra, odeia e ama, vira e desvira, apaga e reescreve. Reescreve cada vez mais torto mesmo estando bonito, arranca os pedaços da página e devora-as.
Quero o nada... Quando procuro o nada, vejo como o preto, porém é branco de luz forte – confuso, eu sei – muito forte. Digo, o preto é ausência de cores, deveria ser meu nada, mas não... Até mesmo meu nada tem alguma coisa. Esse branco de luz forte, tudo ao redor é assim, e não é como se não existisse gravidade, apenas não existe direção. E quando saio do meu corpo, vejo que o nada é imenso, quanto mais me afasto do meu corpo, menos vejo onde estou. É o nada sem fim. Se eu volto ao corpo, fico cega por tanta claridade.
Virei cinza... Agora que sou cinza – vamos lá, não é branco ou preto – sou cinza... Não sou ausência das cores como o preto e também não sou todas as cores como o branco. E o que eu sou? Um metal gelado e brilhoso que fala como os antigos, e ama intensamente: o preto, o branco e o cinza.

domingo, 10 de outubro de 2010

21 pontos das minhas noites

Acho que não existe amor mais, coisa assim. Deito pra dormir e tenho vontade de chorar a noite toda. Durmo quando o sol aparece, acordo quando escurece. Converso um pouco e continuo com a mesma sensação. Não por causa disso, mas eu nunca tive vontade de viver. Deito outra vez com vontade de chorar. Às vezes parece que você está do meu lado querendo me abraçar sem poder. Consigo dormir normalmente, acordo ainda é dia. Passo o tempo trancada no quarto com as persianas fechadas. Aqui dentro é tudo escuro, aqui dentro é bem vazio. Dói.
   Passo o dia cansada de nada, com sono. Fumo quase um maço inteiro todo dia, um câncer querendo destruir o outro. De noite o cansaço some, só existe minha varanda, o céu e você que não está ao meu lado. Eu não existo mais, nem vivo também. A lua está linda hoje, queria que você visse também, aqui. Perdi a hora enquanto estava lá fora, mas na verdade não perdi nada, não tenho nada a perder. Volto pro quarto e me tranco, tranco tudo, tranco com mil chaves. Ando aqui dentro pisando nas palavras que eu escrevo, esmagando qualquer coisa que eu sinto ou “penso em sentir”. Acho que não existe amor mais, coisa assim. Deito pra dormir e tenho vontade de chorar a noite toda.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Apesar dos apesares



Apesar de ter me cansado por não poder sair do lugar, apesar de ter me cansado fazer\falar coisas impulsivamente e acabar ferindo a ti, de ter me cansado por me prender\cativar\agarrar automaticamente contigo de tal forma que me tornasse quase um animal truculento semi-domesticado que não aceita a presença de outros, por não poder ser\ter tudo pra tornar-te a pessoa mais feliz de qualquer lugar habitado ou já habitado... Por eu ter meus mil defeitos camuflados que quando se mostram, saem à tona, explodem atingindo dimensões quilométricas do que eu sou, do que tu és e do que és pra mim, assim como do que sou pra ti. Apesar de me sentir incapaz e saber que realmente sou... Tenho meu maior apreço pelo que não somos nós, pelo que não seremos e nunca fomos.
 Ainda sim, sentindo o que também sei que sentes por mim, sinto-me inútil, inabitável e inábil a tal amor que talvez – e enfatizo meu talvez – não devesse existir, assim como eu. De fato, eu me sinto inválida, apesar das mil e uma utilidades (como dizem por aí). Às vezes falo comigo mesma que, já que existo, ao menos deveria fingir não existir: isolar tudo o que eu sinto e não deixar que os outros percebam nem mesmo uma gota dos pontos finais ou vírgulas dos meus sentimentos (profundos ou não).
 Talvez, de alguma forma, eu esteja mesmo pagando por uma “vida passada” em que tive muito amor e acabei me dando o luxo de pisar a ponto de esmagar. De qualquer forma, carma ou não, apesar disso tudo, apesar de tantos outros motivos, não sei deixar de pensar em estar ao teu lado, mesmo não sabendo o que é estar.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Vigília










         Um aceno e um sorriso sem graça. Aperto de mãos e dois sorrisos sem graça. Um leve abraço e a pergunta costumeira “tudo bem?”. Beijo no rosto e nada mais. Um abraço apertado, outro beijo no rosto e longas horas de conversa. Um abraço apertado e olhos dentro de olhos... Significado literal: “seja bem-vinda”. Confidências. Piadas falhas. Sorrisos vezes sem graça, vezes encantados. Freqüente dilatação das pupilas em cada brisa nas madeixas, a cada mordida nos lábios, a cada pequeno movimento, como uma droga injetada diretamente no coração fazendo palpitar desequilibradamente, desordenadamente, desnorteadamente. Era o leve toque daquelas mãos nas minhas.
   Músicas calmas e dias chuvosos, vento na janela e cama espaçosa, olhar demais para o céu e o mar... Coisas que detesto amar sozinha e se não tu entendes, não entendes meus textos, temo dizer que não entendes a mim também. Já deveria saber, num intervalo de hoje, amanhã e uma segunda-feira, o tempo passa rápido, mas nas madrugadas solitárias com quatro mil luas brilhando na janela, o tempo pára, as nuvens caem e forram completamente o chão. Num momento de êxtase como esses, a chuva cai ao contrário enquanto piso em falso. Inversão de pólos. Era uma semana numa madrugada só, eram projeções da mente que se lançavam nas quatro paredes do quarto.

domingo, 26 de setembro de 2010

UM ANO, DOIS VERÕES

O ÚLTIMO DIA DO OUTONO



Hoje eu tô sozinha
E não aceito conselho
Vou pintar minhas unhas e meu cabelo de vermelho
Hoje eu tô sozinha
Não sei se me levo ou se me acompanho
Mas é que se eu perder, eu perco sozinha
Mas é que se eu ganhar
Aí é só eu que ganho

Hoje eu não vou falar mal nem bem de ninguém
Hoje eu não vou falar bem nem mal de ninguém

Logo agora que eu parei
Parei de te esperar
De enfeitar nosso barraco
De pendurar meus enfeites
De fazer o café fraco
Parei de pegar o carro correndo
De ligar só pra você
De entender sua família e te compreender
Hoje eu tô sozinha e tudo parece maior
Mas é melhor ficar sozinha que é pra não ficar pior
.


sábado, 18 de setembro de 2010

Restabelecimento



Deitei naquela cama durante horas entre aquelas paredes de concreto, aparelhos e tubos de remédios. Durante horas me perguntei se era possível preencher vazio com vazio e confesso que não cheguei à resposta alguma, mas aquela sensação de que todo meu vazio estava sendo preenchido com nada continuava. É, isso mesmo! Preenchido com nada! Também não consegui entender o que acontecia, apenas acontecia. Trocava os canais da televisão de segundo em segundo, não sossegava por nada, procurava alguma coisa que não estava ali naquele caixote eletromagnético. Em quatro momentos daquela noite que me mantive acordada e inquieta, pensei ter sentido alguém tocar meu rosto... Alguém tocou meu rosto, um toque extremamente quente em uma pele tão gelada.

– Luana, você não está melhorando, está?

   A pergunta era um tanto óbvia, mas o simples fato de ter perguntado já era muito mais que alguma coisa, muito mais que apenas nada. Eu tinha muitas vontades naquela noite... Vontade de beber demasiadamente, fumar até me faltar ar, fazer alguma coisa bem louca, correr embaixo de chuva sozinha e sem direção. Mas quando aquela mão segurou a minha... Ah, aquela mão! Todas as outras vontades caíram no chão quebrando em pedaços todo aquele piso azulejado.
   Acredita que o toque de uma mão na outra consegue derrubar tanta coisa sem sentido? Mas acredita também que o toque da mesma mão nessa outra mesma mão consegue fazer ter mil vontades loucas de puxar e correr o mundo inteiro? Parece que as coisas sem sentido tomam um rumo novo quando uma mão toca a outra. Eu acordei, e a geladeira está vazia, a última gota de cerveja se foi há pouco, era sonho, agora o desejo de que alguém segure minha mão logo e me tire dessa enfermidade horrível está me consumindo por completo.


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Dream

Pelas paredes do meu quarto ouço passar o tempo, vejo o som de quem não queria estar ali, sinto tudo e nada sinto. Crescem lírios em minha janela. Me deito para então você encontrar (...) Presa em meus pensamentos nada seus, sou levada a ver o quão manipulador isso pode ser. Tal dor exacerba, não deixa-me abrir os olhos. Havia tomado uma dimensão imatura em meus ignaros pensamentos. Me via presa, você estava ali, atirando estacas em meu, agora inflamado, coração.

Superego, talvez, mas não suportava tal coisa que transcendia a realidade. Queria acordar mas me via morrer...e há diversas mortes que permeiam nossas vidas. É o paradoxo da felicidade que vivemos a procura da dor. O amor é o ápice da loucura e a imaginação, provavelmente, a maior força a atuar sobre os nossos sentimentos. Foi hoje, amanhã o que será? Vou viver acordada.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O amor que eu guardei




O problema de sumir é que quando a gente volta tem que explicar o sumiço. E explicar o sumiço dá muito trabalho, você sabe. Como hoje estou um pouco exausta, podemos pular essa parte? Faz de conta que continuo vindo sempre aqui. Faz de conta que temos trocado confidências, que o tempo não passou, que os cabelos não estão ficando maiores, que o sorriso de hoje é o mesmo de 10 dias atrás, sem nenhuma marquinha na boca, sem nada estranho que lembre que o tempo passa. E como passa. O tempo passa muito, passa rápido, passa rindo da gente.
  

Hoje eu não quero falar de amor. Quer saber por quê? Todo mundo fala de amor. As pessoas amam plantas, vizinhos, objetos, pessoas, sorvetes, cervejas. O que era pra ser amor se tornou apenas uma palavra. O que era pra ser um sentimento se tornou uma coisa. Uma simples coisa. Como podem fazer isso com o amor? Me explica. Você pode? Olha pra mim e me explica. Mas me olha mesmo, tô cansada de palavras soltas, ando sedenta por olho no olho.Estou desconfiada. O cabeleireiro novo me chama de amor. Entro na loja e a vendedora diz sorrindo "oi, amada". Não quero ser o amor de quem acabei de conhecer e entreguei meus lindos cabelos. Não quero que a vendedora me olhe e diga "amada, essa calça ficou linda em você". Desculpe, é que tenho um profundo respeito pelas palavras. Nunca na minha vida disse eu-te-amo sem sentir. Quem eu amo, amo. Para quem a gente não ama existem tantas coisas: gosto-muito-de-você, gosto-de-você, eu-te-adoro, você-é-importante-pra-mim.Por que ficam usando o nome do amor em vão? Olha, eu sou careta. Eu só amo quando digo. E só digo quando amo. Demorei tanto para sentir o amor. Deve ser porque demorei muito para descobrir o que ele, afinal de contas, era. É lógico que a gente se engana. Alguns sentimentos se “travestem” e a gente pensa que eles são amor. Depois, na hora do vamos ver a gente descobre o que existia por baixo deles. Surpresa! Não era amor, era apenas uma coisa qualquer. Não que eu esteja desmerecendo os outros sentimentos. Muitas emoções podem ser lindas - e são - sem chegar nem no dedinho do pé do amor. Tudo bem, sentir é tão bonito, mas o amor vai além. Você entende? Só quem sente entende. Sofro tanto de “sincericídeo” que já disse não-te-amo-ainda-mas-quando-te-amar-te-falo. Sim, já disse isso e prefiro ser assim do que sair por aí dizendo que amo, amo, amo, amo da boca pra fora. Eu-te-amo não é com-licença-por-favor-obrigada. Não é palavra mágica. Tem que vir do coração.
Amor pra mim é aquela vontade da gente se fundir com o outro até o mundo terminar. Tem um quê de desespero, pois a gente tem medo da perda. Tem um quê de descontrole, pois ninguém tem domínio de um sentimento tão puro quanto esse. Tem um quê de coragem, porque a gente passa por cima de muitas coisas. Tem um quê de paciência. Tem um quê de cumplicidade. Tem um quê de segredo. Tem uma pitada de muitas coisas. Amar é perder o nojo, pois amando a gente percebe que o outro é uma pessoa - e as pessoas são sujas de vez em quando. Amar é abrir os braços e ir - sem saber o que existe mais adiante.


Tem muito casal que se conhece hoje e amanhã já tá se amando. Tem muito amigo que se conheceu ontem e agora distribui eu te amos a todo instante. Pra amar, tem que conhecer. Pra amar, tem que se perceber. Pra amar, tem que doer um pouco. Porque dói, é uma descoberta, é uma mudança, é um se ver no outro, é um ver o outro exatamente como ele é - e ainda assim amar. Tem muita gente que ama torta de maçã. De novo, o amor na boca. Espera. Guarda o amor pra outra ocasião. Guarda o amor pra quando for sentimento. Guarda o amor pra quando for verdade. O mundo hoje está assim: todo mundo diz que ama alguma coisa sem ao menos saber o que significa a palavra amor.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Cama vasta

Coração tão pequenininho e apertado, quase vira pó, esmaga tanto que dói. Cabeça tão pesada, tão pesada que me deixa pequenininha assim. Corpo tão cansado, cansado assim, que deixa sem força até pra sair da cama. Não há nada mais a fazer, nada mais além de olhar as sombras da cortina no teto do quarto escuro, as coisas estranhas que parecem surgir nos cantos e as brincadeiras que os olhos me pregam.
Posso te mandar um recado e chamar p’ra deitar aqui ao meu lado? Em meio a esses lençóis, almofadas e travesseiros... Fico perdida aqui e tão pequenininha. É... Eu me sinto assim sem você comigo, quero saber até quando, logo eu, tão “forte” e “cheia de si”. O que você faz comigo, menina? Qual é seu encanto? E o que a gente sente é tão grande que mal cabe dentro de mim... Tão pequenininha, parece que vou explodir. Explodir em mil pedaços que parecem um só. É, eu sou assim, você sabe e ninguém mais precisa saber. Mas quando tiver você por perto, serei tão grande... Mas tão grande que o mundo inteiro caberá dentro de mim só pra te dar tudo. Um monte de frase bobinha que talvez não faça muito sentido, um monte de frase bobinha que sai de dentro de mim... Assim, tão pequenininha.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Engasgos

 Quando me olhei no espelho, senti como se fosse outra pessoa ali, por um momento fixei nos meus olhos e eu parecia afundar dentro deles, faltava ar, faltava chão, tive tontura e sensação de que estava sem força nenhuma para continuar sobre meus pés. Não sei quem estava ali do outro lado, mas definitivamente não era eu, pois havia descoberto um ponto fraco do meu precipício e então parecia pisar em cima tão delicadamente que doía sem machucar, entende? E deixava-me presa dentro dos meus próprios olhos.
  Sufoquei. Pensei em pedir ajuda, mas ajuda a quem? Fiquei inerte ali. Se afastasse um pouco da pia e do espelho, simplesmente cairia sem vértebras e em prantos; Acabei afastando e despedaçando então, reguei o único ser vivo perdido no meu precipício, uma flor, a mais linda já vista. Intocável. É, ser vivo! E pensar que tudo morria por lá naquela paisagem cinza, pensar que nunca veria algo assim, pensar que provavelmente se eu a tocar, ela morrerá; Tem sido assim... Desde então tem sido impossível tocá-la, continuo quebrada e a regando com a chuva dos olhos.
  Em meio dessas gigantes desordens e atrasos penso se é aqui que devo continuar. Quero dizer, o que há de útil em um lugar tão morto pra um lírio tão bonito? Uma vez dentro daquele lugar, ou se perdem, ou apenas morrem... Raramente se encontram por lá, raramente vivem por muito tempo; eu, por exemplo, já morri tantas vezes; às vezes sinto que devo tirar essa flor dali, faz tanto o coração doer por inteiro, em pedaços e no meio. Às vezes é preciso morrer e salvar outra vida.

sábado, 7 de agosto de 2010

Com o coração nas alturas...



Depois de tantos silêncios, resolvi voltar a conversar comigo, ainda que mentalmente. Muitas vezes fico assim, recostada em mim, pensamento longe, coração andando devagar e analisando cada cenário que passa em câmera lenta, a vida em preto e branco. E agora tudo toma cor tão derrepente. Não foi difícil nem tenso, foi diferente.


Meu pensamento fervilha. O coração fica a mil. As idéias dão saltos mortais. As emoções giram no sentido horário. Será que vou dar conta? O que fazer quando você tem tudo nas mãos? O que fazer quando seus sonhos viram verdade? Você acha o amor da sua vida, você e ela se juntam, constituem uma família. Nós somos uma família. Uma família. Nós, o Bob, nossos cachorros, nossas historias, nossos sentimentos, não sentimentos, amor. E todas as nossas outras coisas, nossas caixas, nossos restos, nossos começos, meios e finais. Nós e nossas manias, nossos sucessos, nossos fracassos, nossos defeitos que ficam na fronha, nossas qualidades que fazem os olhos ter mais vida. Hoje, aqui, agora, na hora.


Eu sofri. Meu Deus, como eu sofri com amores errados, ilusões, migalhas, coisas que achava que eram e nunca foram, tentativas enlouquecidas de te esquecer, vontades desesperadas. Eu posso dizer para você com todas as letras do alfabeto eu-sofri-muito. Hoje, vejo que sofri me procurando. É porque hoje percebo que a gente só encontra o amor depois de se achar. Ou pelo menos de tentar se encontrar. Eu estava em paz, uma paz boa, uma vontade de ficar comigo, de ser minha amiga, de fazer dar certo essa relação difícil que existe entre nós e nós mesmos, de cuidar bem de mim, de tomar conta da minha vida do jeito certo. Então, ela apareceu. Ela (re)apareceu na minha vida de mansinho. Eu apareci na vida dela devagarzinho. Nós aparecemos na vida uma da outra, sem pedir nada, sem cobrar nada, sem dizer nada. Depois, as palavras. Elas, que me seduzem. Elas, que me envolvem. Elas, que me aproximam. Foram as palavras que me aproximaram dela. E foram elas que me conduziram até o amor da minha vida. Entre uma palavra e outra, uma inquietação. Entre uma inquietação e outra, a curiosidade. Entre uma curiosidade e outra, um medo. Será? Entre um será e outro, um relâmpago chamado coragem. Fui. Ela veio. Nós fomos. Daquele dia em diante, não ficamos um dia sequer sem nos falarmos, seja por telefone, e-mail, mensagem, telepatia. Entre uma conversa e outra, um sentimento. Entre um sentimento e outro, o amor e, com ele, a definição. Sim. Sim. Sins.


O amor é mesmo maluco. Ele vem quando estamos distraídos. Ele chega quando menos precisamos dele para nos mostrar o quanto somos mais felizes junto com alguém. Já vivi situações em que ele podia ter ido embora. Já senti o medo de perder tudo um dia. Já fiquei me perguntando como tudo isso seria. Vi que, independente de tudo e acima de qualquer coisa, o amor é um sentimento que vive em mim, que caminha ao meu lado, que me acompanha aonde quer que eu vá. Não posso me perder dele, tampouco abrir os dedos e deixar que ele se vá. É por isso que eu acho que a gente deve cuidar de quem ama como se fosse a primeira vez. Para amar, tem que ser inteiro. Para amar, a gente dispensa a matemática, por mais que um mais um seja dois. Para amar, o bom português basta. É só abrir o coração e boca e dizer eu te amo.

68,90 pés




A cada passo, um suspiro e um olhar reluzente de encanto; Dedos furando a areia da praia, como quando mamãe fazia bolo e afundava o garfo na massa tão macia; Alguns assuntos sem direção nenhuma, acompanhados de lindos sorrisos nos lábios teus. Seria isso o que chamamos de sonhar acordadas?

– Nossa, o mar está tão cheio... É lindo, mas assusta um pouco.
– Lua cheia!
– Como?
– Lua cheia – repeti – já deveria saber!
– Não faz mistério, diz logo!
– Um novo (re)começo.
– Um novo começo

Interrompi antes que pudesse completar a frase:

– Espera... Estou na minha maré mais alta agora.
– E o que isso quer dizer?

Foi então que a beijei.

domingo, 1 de agosto de 2010

Cadê o orgulho, Luana?



Eu achei que nós chegamos tão perto. Mas agora com certeza eu enxergo, que no fim, eu amei por nós duas.  

Desculpa se esqueci de elogiar seu cabelo, ou te dizer"bom dia, amor",
Desculpa não ter dito que te amo ao partir,
Desculpa se errei ao medir as palavras ou se nem fiz questão,
Desculpa não estar perto quando você precisa,
Desculpa não ser tudo que você sempre quis ou nada do que você esperava,
Desculpa correr atrás por amar tanto,
Desculpa querer melhorar por mais difícil que pareça,
Desculpa não querer desistir assim,
Desculpa mas eu não sei o que eu fiz.

Tem coisas que a gente nem precisa explicar, é só preciso sentir... Não digo sentir de uma forma física - ta, também dessa forma - mas sentir de dentro de você, como borboletas no estômago, como um calor que surge de vai saber onde, um arrepio que dá “sem” motivo. Há tempos que eu não me sentia assim, há tempos que eu não ficava tão bem... Só de ouvir sua voz, mesmo sabendo que amanhã tudo que falou - depois do “bebi demais”- já não signifique mais nada... Daí que dizer que há mal que vem para bem, e eu aceito o sentido literal desse “ditado” ou seja lá o que for. Um presente dado sem motivo aparente, um beijo roubado sem ter hora pra devolver ou devolvido toda hora, roubado e devolvido, assim por diante, um abraço apertado daqueles que a gente nem quer soltar, um carinho que faz não querer acordar, lembranças que não querem se fazer esquecer, sonhos de chamar de nossa, aquilo que chamamos de vida.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Minha dispnéia umbrática


 Eu liguei pra dizer que estava com saudade de ouvir tua voz, já faz tempo que não escuto, nem pelo vento, nem pelo tempo. Queria saber... Quer juntar tua escova de dentes com a minha por alguns dias, ao menos? Ou então quer esperar teu café da manhã na cama, chá da tarde na varanda e assistir filmes ruins comigo? É que já fugi tanto... Mas a verdade é que corri em círculos. Porque pior que fugir de você, é fugir de mim, não existo por completo se você não existe aqui. Só engano a mim, os outros mesmo vêm que um sorriso falso e amarelo não representa nada além do vazio que me faz sentir. É cansativo procurar em outras bocas teu sorriso, em outro colo teu abrigo... Procurar em outros olhos os teus olhares, já não me traz mais nada.
Não é que eu não tenha nada pra fazer, mas é que as coisas simplesmente não andam... Por mais que eu as empurre, tudo permanece no lugar e então me sinto fraca, frágil, melancólica, chata e sem graça, por onde eu passo não fica brilho, na cama que eu deito é só vazio e solidão. Às vezes o céu até chora por mim e lava minha alma, às vezes ele se irrita, manda raios, relâmpagos e trovões, mas mesmo que eu peça desculpas por não ter você aqui, ele grita, chora e se irrita mais. Acho que o céu não entende que a culpa não é minha, acho que ele pensa que fazer água bater na minha janela e ventar na minha cortina vai trazer você aqui... Antes fosse fácil assim.


Como se já não bastasse, os pássaros lá fora me fazem despertar do único lugar que eu a encontro, eu me irrito com eles, quase os mando sair da sacada. Mas acontece que sem você eu fico tão sozinha que prefiro que continuem me irritando. Não é que isso tudo me deprima, de certa forma me faz bem, o que faz mal mesmo é saber que só irá continuar em palavras. Por isso eu prefiro acreditar que as coisas não são assim, em vão, por isso eu prefiro sentir doer à não sentir nada.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

é, menina


                            

Voltando ao curso normal de meus pensamentos, é a ti que tenho aqui. E não passa de outra madrugada em claro em que me pego pensando em ti, por quase um segundo consigo te odiar, depois te amo mais ainda. E pensar que me mantive sóbria por alguns meses recusando a embebedar-me com teus beijos, por tanto medo de um provável vício.
Eu não sinto a sua falta. Eu sinto falta da pessoa que eu pensei que você fosse, aquela que possui caráter. Então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta,mas tanta coisa que eu vou ficar calada.
Esse é meu problema, sentimento acumulado demais, eu explodo e me humilho, daí meu orgulho some... Odeio isso, odeio ter que desabafar e falar parte do tudo que eu sinto, porque me corroe se eu falo e também se eu não falo. E há quem diga que sou um monte de palavras presas que quando juntas por muito tempo, explodem.


"Tudo vai dar certo, ta? É pra ser forte, combinado?"


E  é o 'quase' que tanto me incomoda, que me entristece, que me mata, trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. É o seu falso amor e suas falsas promessas gratuitas -frases que lhe saiam fáceis e incolores, mas que em mim se cravavam rápidas e agudas, para sempre-.
eu quero alguém pra me colocar pra dormir, alguém pra me fazer sorrir, alguém pra secar as lágrimas que insistem em escorrer pelo meu rosto. Alguém que me abrace toda vez que eu precisar, que perceba que eu preciso desse abraço. eu quero alguém pra dormir comigo todas as noites, pra me fazer a mais feliz do mundo, pra ser só minha. eu quero alguém que aceite minhas brincadeiras, que aponte com carinho meus erros, que me repreenda nos meus momentos de infantilidade, alguém que seja ao mesmo tempo adulto e criança. eu quero alguém que cuide de mim quando eu precisar de um colo, ou de um remédio, ou dos dois. eu quero alguém pra me ensinar o que é certo, e o que é errado, também. eu quero alguém que esteja disposto a passar 24 horas do seu dia comigo, que se preocupe comigo, que me de atenção, que quando eu precisar largue tudo e venha correndo me ver. eu quero alguém,mas só se esse alguém for você, senão eu abro mão de tudo isso e fico sozinha, porque no fundo, não são esses momentos que eu quero, são momentos com você que eu quero, só isso. Toda noite eu acordo de madrugada e penso -porque eu to sempre com o travesseiro do meu lado- eu passo a mão na minha testa e volto a dormir. Que frustrante, sentir falta de alguém que está tão perto e não poder ver. Espero que isso passe logo... Saudade não mata, mas dói. E está doendo agora.
-No meu passado você não pode ficar..
 

-

acabou.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Por toda a vida e mais um dia



Ainda que me apague da mente, já foi, já passou, já sentiu - isso se sentiu - mas... Que te apagues aos socos da minha mente ou de formas mais brutais, pois não esperei o que vejo, o que me fazes sentir, parecer, ser... Um vão, um nada, é só vazio. Proposital talvez, uma defesa talvez, mas defesa do que se não te faz mal algum? Se for isso que tu julga sem importância ou intolerante talvez, o que tu julgarás como real ? Vejo que julguei mal meus valores também, vejo que sabia tão pouco sobre tudo que acabou onde acabou - digo acabou - pois acabou mesmo. Infelizmente ou felizmente não temos um botão em nosso coração com a função de delete ou ctrl z. Confesso, já teria usado tantas vezes das quais perfurara meu coração .


Só não irei fazer perguntas demais a mim mesma, pois sei a situação em que me encontro e o quão frágil isso pode ser, mesmo que não aparente - nem a mim mesma -. Quem dera ao menos tu tivesses coragem pra dizer – eu não te amo – mas não a tem, prefere agir como um ladrão que ao entrar na sena do crime, esfaqueia meu coração e vai embora, fazendo sangrar cada vez mais. Eu sinto que o diamante quebrou, quebrou mesmo e eu repito as palavras para enfatizar o que tento dizer, tão pouco me entendo, tão pouco me entende, tão pouco entendo o que está ao meu redor, até penso que tão pouco tento, mas então vejo que... Apenas “que”.


Eu me perco, já até enterrei e não quis desenhar mapa algum, já fingi me perder e não saber como voltar mas é tão confuso e com tão pouco sentido e tudo que eu digo parece tão pouco, tudo que eu digo está em tão pouco. Não tenho outra pessoa sentindo o que sinto, pensando o que penso, lendo meus pensamentos, não tenho e não quero ter... Ou melhor, quero, mas sempre existe um “porém” realçado com o marcador de texto amarelo nas entrelinhas do que penso ou quero, às vezes porque eu mesma marquei, às vezes porque alguém já fez questão de marcar. Digo que ainda não aprendi a ler com tanta atenção as entrelinhas porque sei mesmo que não aprendi, não há mais ninguém que possa me dizer o que eu sei e não sei, o que li e não li, vivi ou não vivi, aprendi ou... Ou não aprendi. Fico me flagelando com as palavras que dão voltas e voltas ao redor do meu próprio ser, da minha mente, do meu corpo, do meu existir. Talvez porque eu queira respostas e apesar de saber que nunca terei tais respostas, continuo a buscar, por aventura talvez, por sonhos talvez... Afinal, não existiriam sonhos se não existissem uma pequena porcentagem de possibilidade de realizá-los, nem que seja por um momento ou de alguma forma não tão convencional. Importa que ao ser realizado já se torna real.


O que me mantêm firme e não me permite cometer os mesmos erros que cometi no passado, é que de alguma forma eu sinto, eu sei ou ao menos espero, que cheguei até aqui por algum motivo, que não foi possível “parar o tempo” por algum motivo, e esse motivo me espera no final ou até mesmo no meio da linha – até porque eu ainda vou viver mais umas décadas – e nesse caminho de linhas emboladas ou não, eu terei que decidir ou com a mente ou com o coração. Pois bem, acredito que agora seja hora do coração descansar, afinal ainda irei precisar dele no futuro. O que posso fazer agora é ficar bem ou fingir estar bem (tudo bem, fingir é fora de cogitação) e seguir, apenas seguir. Mais algumas pedras no caminho não me farão mal, afinal tenho alguns band-aids no meu coração mas o diamante mesmo... Esse sim foi quebrado. E sabem o que dizem sobre diamantes?

terça-feira, 6 de julho de 2010

Desajustado





Já nasci andando pela contra-mão
Mau caráter se você quiser
Tenho alguns band-aids no meu coração
Posso até bancar a sem-vergonha
Anti-depressivos não vão resolver
Mas ainda me mato por você.



[Faichecleres - Desajustado]

domingo, 4 de julho de 2010

Quod me nutrit me destruit



E acordar com você , e dizer que você é a coisa mais fofa desse mundo , sentir você me aninhando e me chamando ao som de “meu bebe” , ver o seu rosto antes que todo mundo nesse dia , e sentir você pertinho de mim, e ficar apenas ao som da nossa respiração , e te olhar nos olhos , e ver o quanto eles brilham olhando pros meus, e te beijar com vontade , e lembrar que você é minha...Perdi .
 
Alguma coisa que me era essencial , e que já não me é mais . Não me é necessária , assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável . Essa terceira perna eu perdi . E voltei a ser uma pessoa que nunca fui . (…) Ela fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma , e sem sequer precisar me procurar .

Hoje ela me ligou e sem saber o que dizer , retornei a ligação . Como de esperado , a mesma não foi atendida . Me encontro aqui prestes a cair em prantos por pensar que algo pode ter acontecido . O que a faria me ligar ? Uma estadia no hospital ? Uma mudança repentina ? Um acidente ? Ou algo mais sério talvez .Tento esperar, tento não dormir, viro de um lado para o outro com a intenção de acordar, talvez acordar para vida , sei lá , olho para o teto , chão e paredes , pego um pedaço de papel e escrevo ao léu do tempo , sinto um vazio , ou então , um cheio demais a ponto de ficar perdida . Diga-me que não é capaz de brincar com tal sentimento , seja lá qual for , diga-me que pode curar ... Não diga só para que repita a terceira vez , pois eu sinto-a fugir . Desculpa não querer desistir assim . Gosto , adoro , ainda sinto ... Te amo.

sábado, 3 de julho de 2010

Sem título e chão






Só tenho falado de dor e sofrimento, ainda sim que falando de amor. Não consigo mais controlar essa turbulência – e meu uso excessivo dessa palavra – toda sozinha, não preciso só de mãos, preciso de braços, abraços longos, quentes, sólidos, doces. Já havia dito antes e volto a dizer: ninguém carrega toneladas, sozinho, nem mesmo aos poucos, tudo se torna cansativo e desgastante. E quando não se tem pra onde fugir mais, foge pra dentro de si, tranca-se junto a um medo avassalador e a um desespero imensurável... Sim, eu tenho medo, muitos medos que talvez não precisem ser citados, mas o maior deles é me perder – mais – não saber onde pisar e nem mesmo saber se tenho chão para cair. Talvez seja isso que falta... Chão
Na verdade, tem faltado mais que isso, mas nunca fui de reclamar do que me falta – até o ponto que incomodasse, machucasse,sangrasse, perfurasse o meu ser – quem sou eu pra reclamar do que falta quando sei o que tenho? Sempre acreditei que vale mais poucas coisas valiosas que muitas coisas de nenhum valor, o problema é que cheguei a um ponto em que talvez devesse reaver os meus valores, pois não tenho recebido em troca. Não que eu espere algo em troca de tudo, mas nunca receber nada é frustrante.
Ando tão cheia de muitos “talvez” que tenho mais medo de... Medo de tudo. Tudo feito com muita precaução, com pouca (ou nenhuma) expectativa\ansiedade. Pessoas mostrando seus reais méritos a mim, em grande parte, fazendo com que perca a esperança sobre tais, perco até sobre eu mesma. E antes que perguntem onde está o meu ego
, quero deixar claro que isso não vem ao caso. Todo mundo cansa, ninguém é de ferro, sendo assim não tem nada a ver com a concepção que tenho sobre mim. Transformar meus sentimentos em palavras não tem ajudado tanto, ainda que...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

continuo...







Continuo - e por si só – o sentimento toma parte de mim,ocupa todo o lugar , no meu coração . Faz sangrar , faz doer e quantas pessoas já tentaram entrar aqui . Entre dez caminhos , eu escolho o seu,entre os amores eu escolho o teu , entre as escolhas , minha escolha é você . E que eu derrame mil lágrimas , a nunca ter o que me queime,a nunca ter o que me mova .


Não posso te perder - mas involuntariamente já o faço - permanece então , apenas os rastros de um lugar já ocupado por você , agora oco , sem vida em meu corpo , meu coração se foi com o teu .


Mas continuo...


As portas estão fechadas , foi trancafiado a mil chaves – até então – jogaram-nas fora . Não sei o que quero mas o que não quero , parece estar sempre ao meu alcance . As entranhas em meu coração escondem caminhos que – penso eu – jamais chegar.Continuo e somente só.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

porque?

B: Nate está esperando pela minha resposta.
C: Eu soube.
B: Não quer saber o que está me impedindo? Não posso responder a ele sem saber da sua resposta. Daquela pergunta que te fiz há muito tempo. O que somos, Chuck?
C: Blair...
B: No último outono, você falou que não poderíamos ficar juntos. E acreditei em você. Mas cada vez que tento seguir em frente, você aparece, agindo como...
C: Agindo como o quê?
B: Como... Talvez só queira que eu seja tão infeliz quanto você é.
C: Nunca desejaria isso a ninguém. Quero que seja feliz.
B: Então olhe bem fundo na sua alma, que sei que tem, e diga se o que sente por mim é verdadeiro. Ou se é um jogo. Se for real... Daremos um jeito. Todos nós. Mas se não é... Então, por favor, Chuck, deixe-me ir.
C: É só um jogo. Odeio perder. Está livre para ir.
B: Obrigada.
S: Chuck, por que fez isso?
C: Porque a amo. E não posso fazê-la feliz.

sábado, 26 de junho de 2010

Coração: maldito orgão involuntário sem função.






Apesar de ter me cansado por não poder sair do lugar, apesar de ter me cansado fazer\falar coisas impulsivamente e acabar ferindo a ti, de ter me cansado por me prender\cativar\agarrar automaticamente contigo de tal forma que me tornasse quase um animal semi-domesticado que não aceita a presença de outros, por não poder ser\ter tudo pra tornar-te a pessoa mais feliz de qualquer lugar habitado ou já habitado... Por eu ter meus mil truculentodefeitos camuflados que quando se mostram, saem à tona, explodem atingindo dimensões quilométricas do que eu sou, do que tu és e do que és pra mim, assim como do que sou pra ti. Apesar de me sentir incapaz e saber que realmente sou... Tenho meu maior apreço pelo que não somos nós, pelo que não seremos e nunca fomos.


 Ainda sim, sentindo o que também sei que sentes por mim, sinto-me inútil, inabitável e inábil a tal amor que talvez – e enfatizo meu talvez – não devesse existir, assim como eu. De fato, eu me sinto inválida, apesar das mil e uma utilidades (como dizem por aí). Às vezes falo comigo mesma que, já que existo, ao menos deveria fingir não existir: isolar tudo o que eu sinto e não deixar que os outros percebam nem mesmo uma gota dos pontos finais ou vírgulas dos meus sentimentos (profundos ou não).


Talvez, de alguma forma, eu esteja mesmo pagando por uma “vida passada” em que tive muito amor e acabei me dando o luxo de pisar a ponto de esmagar. De qualquer forma, carma ou não, apesar disso tudo, apesar de tantos outros motivos, não sei deixar de pensar em estar ao teu lado, mesmo não sabendo o que é estar.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Talvez...





                      



                        


Não me procura que eu vou ao teu encontro,e se eu te procuro não me deixe em prantos.Fiz tanta besteira por me perder de você e me achar outra vez,machuquei involutariamente,secretamente e discretamente,outros corações.Masoquismo mesmo é gostar do coração doendo desse jeito e alimentar tal dor,o que machuca mais é acreditar que um dia ...E eu não presciso completar a frase,é aquela velha historia do “um dia”.



Olhar pra trás,pra frente e pra dentro...E encontrar só tua essência , nada mais.Coração jorrando meu sangue ate soltar os sentimentos.Aquece,mas dói um tanto que...Unicamente “que”.Eles têm razão quando dizem que te absorvi demais em meus pulmões...E continuo.A verdade é que queria você por perto pra reclamar do cheiro de cigarro misturado ao perfume da minha blusa.Esse é só um texto em andamento ,eu sei , minhas palavras parecem fugir por todos os lados e por pouco fazem algum sentido.É um texto em andamento que irá continuar assim,talvez,um dia.