quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Dai decidi que agora não. Ah, agora não. Tudo de novo? Não. Então peguei meu celular, assim, meio ocupada, óculos e tal e mordendo o lábio inferior um pouco ressecado e, sem dó, deletei seu número de celular. Deletei as mensagens de texto também. E deletei seu nome e as fotos e a música e tudo.

domingo, 18 de novembro de 2012

3




Eu estava ali, voltando, com sua blusa listrada, fumando meu cigarro e pensando. Chovia forte, eu estava em todos os lugares menos ali, acho que havia ficado com você. É engraçado como olhar a rua de madrugada coloca tanto sentido aos sentimentos na nossa cabeça. A cada tragada era um pensamento. Aí que te vi bem ali, sorrindo pra mim. E até quando ficava séria, dava pra ver que estava feliz. Então foi que senti uma grande satisfação que me preenchia o peito, sacudia minha alma em cada sorriso seu.Gosto das suas pernas, do jeito que elas entrelaçam em laços nas minhas quando você deita ao meu lado. E seus olhos quando mergulham nos meus, é como se você não falasse nada, mas dissesse tanta coisa. Não é coisa que outros entendam ou precisem entender sobre nós, é coisa nossa, magnetismo, não sei, você sabe? Gosto quando me bota pra dormir , quando seguro sua mão enquanto durmo, quando me ensina a ser leve, quando me deixa decidir e se faz decidir

Gosto.


 Olha para mim com desdém, depois diga sim quando te puxar pela cintura. Rima meus silêncios. Guarda meus segredos. Me olhe fixamente enquanto faço curvas erradas, pendura meu sorriso .Vem dizer que quer, gargalhar comigo até a barriga doer. Deita no meu ombro, ironize minhas colocações e seja mais previsível que a chuva de sábado anunciada na quarta feira. Me beije porque gosta, analise meus defeitos sem esperar resposta, junte suas mãos que te pego pela alma e te levo.Me toque o rosto sem pressa, desenhe um sol na janela quando o dia estiver nublado, goze comigo e encolha os dedos dos pés. Me arranhe as costas, não me amarrote os medos, roube minhas frases e vá para o mundo. Fale obscenidades em francês, conserte meu português e me beije como a última vez, mesmo que seja a primeira. Fique sem graça com meu elogio, deixe eu gostar do cheiro da sua pele, odeie todos os meus defeitos e arranque todos os meus gemidos.Olha para mim com desdém, depois diga que não sabe porém, quanto quiser sorrir sem intervalos comerciais.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O que fizeram aqui? Cheguei e encontrei tudo revirado, perdi a razão e o juízo, não sei onde está mais nada

 


  Teria perfurado, revirado e bagunçado meu cérebro com tuas palavras. Tuas sutis palavras, que atravessavam cada fio dos meus neurônios. Era madrugada, cada letra ecoava, dançava, seguia um caminho do meu subconsciente que até então pouco era conhecido. Em cada frase se machucava.

   Como já dizem "a princípio estranha-se, depois entranha-se". Já eu, digo que, em um eterno ciclo: estranha-se, depois estranha-se e então estranha-se mais uma vez. É como um fascínio pelo desconhecido, onde se procura conhecer mais a fundo e estranhar outra vez.

    Queria dizer que, apesar de nunca saber onde estou pisando, sigo e piso. Raramente tenho certeza das coisas que me cercam, quase sempre parece que nada existe, que é invenção da minha cabeça ou de outra. Queria dizer que, um dia, quero lhe dizer tanto. Mas agora digo: te ver me cala a dor do coração.

sábado, 26 de novembro de 2011

Maldita essência

No fundo eu sei que não adianta fingir satisfação. Eu tenho uma urgência muito grande da vida pra dizer sempre que está tudo bem. 'Está tudo bem' é só outra forma de dizer que venho sobrevivendo, ao invéz de viver. É como morrer todos os dias, mas não ter o alivio imediato da morte. Da vontade de sair correndo e gritar 'ei, eu to aqui.. eu quero viver' e nunca mais parar de repetir essa frase, porque eu sei o peso que as palavras tem.
Aprisionar os demonios ja não está adiantando. Tento viver uma vida superficialmente perfeita, mas ela não vai me dar a adrenalina de estar vivo. Tomar um tapa de luva na cara, as vezes é bom.
Eu quero abrir os olhos pro lixo que o ser humano é, o lixo que eu sou. E fede.
Tentar ser alguem melhor, mas reconhecendo a mediocridade da minha essência.

sábado, 5 de novembro de 2011

Tempestade




Eu testei alguns começos para este texto. Testei algumas frases sem-sentido, alguns pensamentos filosóficos, algumas falas de personagens que eram eu, mas que no fim, nada diziam sobre mim. Eu procurei por respostas para que questões sinceras e simples pudessem ser feitas, e procurei no dicionário por significados de palavras que sequer existiam.
Permaneci na busca por canções que musicista algum compôs, e olhei atentamente toda a superfície do meu coração tentando encontrar alguns rascunhos de uma felicidade antiga que ainda não fora terminada.
Vasculhei os meus arquivos, os meus sentimentos inimigos e tentei com toda a minha rara boa-vontade acabar de vez com essa história de navegar por mares errantes.
Eu deixei que o meu barco vagasse por conta própria e fui atrás desses baús velhos que haviam dentro de mim. Encontrei o vazio juntamente com o seu eco.
Meu pequeno barco que carinhosamente apelidei de navio, bateu descontrolado contra pedras inconvenientes naquele agitado mar de costume. Havia uma tempestade ali. O vazio gritante de meus baús internos fez com que aquele mar salgado de lágrimas se agitasse.
Virei. Caí ao fundo e quase me afoguei. Tentei fugir, e ao tentar respirar, eu só engolia mais água. Em cada vez que tentei escapar, a situação apenas piorava.
Voltei para a superfície, e numa terra pseudo-firme, eu tentei secar os meus pertences. Sequei meus pensamentos, minhas frases, meus objetos. Sequei minhas carências, minhas saudades, minhas dores. Estes já estavam se recuperando, mas voltar a ser o que eram antes já não era possível. A água fora cruel.
Eu também testei alguns finais para este texto. Testei alguns enredos, que se perderam nos meios. É possível notar que meus testes são apenas puro clichê, assim como essas benditas palavras minhas, que com tanto afinco são guardadas aqui dentro desde livro com o nome de "Minha Vida". Mas no final, eu percebo que minhas histórias nunca se passam do começo, e que mesmo o fim acaba não terminando.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Apenas venha

Quero que você venha, sem avisar, e quero que me abrace, sem avisar também. Quero que você sinta, sem me dizer, pra que eu possa sentir só de ver. Quero que você seja, e me deixe ser, eu em você. Quero a paz do teu riso, a segurança do teu abraço. Quero ser quem sou sem ter medo de ser, quero você sem qualquer máscara. Quero cuidar do teu sorriso e limpar tuas mágoas. Quero teus olhos, tua boca e teu completo. Quero sonhar acordada a noite toda. Quero ser motivo das tuas piadas sobre minhas imperfeições que tantas elas são. Quero gostar de cada palavra tua. Quero completar tuas frases. Quero não sentir medo, e se sentir, quero que me diga que não há sentido algum nisso. Quero ter cor, palavra e sorriso.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Nada

   Uma dose amarga de realidade para lembrar que o mundo não é feito de valsa. Vê-se então que o amor nada mais é que a própria solidão. Ama-se, porém. Não vê, não toca, não sente, pensa: imagem do que não existe.

– Amor não existe.
– Eu sei.

   Saber, ninguém sabe, talvez. Mas é fato resultante consumado do fracasso. Corações partidos, que em partes não se partem na verdade, são apenas partes do que acreditava ser verdade. Mas de verdade é mesmo, de mentira dói menos. Engana a si mesmo sem saber o certo e o errado, supõe-se que.  Constrói fortaleza em volta do nada, coração só serve para bater, só protege se for de bala.

 Meu dia cansativo, cheio de números e mais números. E eu escuto teu nome. Nem era você, mas na minha mente era. Parece que todo mundo resolveu se chamar você, parece que todo mundo resolveu ser você na minha mente. Parece que não enxergo mais. Queria que por um momento, você sentisse, me sentisse em você, com você, pra você. É assim que eu me sinto.

   Eu me sinto fraca, antes, durante e depois. Tento me conter em sorrisos do teu rosto, e nas cores dos teus olhos. São tantas elas, você nem sabe. Se meus óculos fizessem eu realmente enxergar o que eu não quero ver... Na verdade eu já vejo, só finjo que não, pois assim é melhor pra mim. Pensar que o que me faz bem ainda é meu, mesmo que nunca tenha sido.
  

   Chora, sufoca e mata. Não há nada como um recomeço de nada. Não foi nada, não tem nada e continuará nada. O ser humano nasce sozinho para morrer sozinho, teus pertences e amores não vão para o caixão. Inútil seria se assim não fosse. Um agrado a quem vê dois sorrisos a brilhar antes do sol se pôr, e o céu vermelho quase azul escurecendo para as estrelas. Elas que já morreram.Quantas vezes podemos amar? Quantas vezes podemos morrer?

domingo, 22 de maio de 2011

À flor de qualquer coisa



  Viver não é uma palavra, viver é quase nada. Cepticismo. “Só acredito vendo”, pouca coisa se vê, muita coisa se sente. Sente-se sem querer, mas ainda querendo. Mas é assim mesmo, uma pena pra quem carrega um mundo é tão pesada que parece outro planeta. Cria-se sem querer também, pra fugir talvez, uma dimensão paralela que ninguém mais seria capaz de ver. É como se por dentro fosse um quarto escuro com uma cama macia, a vontade é de ficar lá... Ficar lá até tudo sumir. Perde-se dentro de si.

   Palavras, tão poucas palavras. Tantas formas para emitir informações. Mas o que importa? Palavras, tão poucas essas, correndo ao canto de cada página, ao canto de cada ouvido. Hora entram e permanecem, outra hora pouco importam. Importar (im-por-tar): valer, ser útil ou proveitoso, convir; ser importante; atingir, dizer respeito, afetar; fazer caso, dar importância, interessar-se por. Pouca coisa importa quando não se tem nada a perder, excluindo a si mesmo, assim mesmo. Mesmo, do tipo mesmo-mesmo.

   
  O tempo passa, tudo passa, eu inclusive. O pesar não, esse permanece, por si e por outros. Mas isso também não importa. Das poucas coisas, exclui-se essa também. Num ato de egoísmo profundo, no âmago de seu ser. Sangra como flor em ponta de arma branca, mas morre e vive outra vez. Viver não é uma palavra, viver é quase nada, mas entende-se como quer.

sábado, 26 de março de 2011

Sossego

Eu estava ali, deitada na cama, de ponta a ponta com os pés na janela aberta, ouvindo música, olhando o céu, sozinha. Imaginando tantas coisas e refletindo sobre tantas outras, sozinha. Eu sempre fui uma pessoa muito sozinha, não por opção, isso deve ter nascido comigo. Hoje em dia já nem desejo tantos amigos ou alguém pra sempre estar comigo quando eu estiver precisando\querendo atenção. Mas eu estava ali, ouvindo aquelas músicas que mergulhavam pele adentro, até a alma. Lá no fundo tudo que eu conseguia ouvir eram umas cigarras e minha respiração.

   O mundo é tão grande, o universo é tão maior ainda, olha pra esse céu, dá pra sentir dizer alguma coisa, coisa que ninguém entende, nem eu. Mas eu estava ali, escutando sem entender muito bem, sozinha, olhando pra fora da janela com meus pés desfocados a beira dela. O vento encostava  em mim pra dizer: “Luana, você está sozinha”. Eu não sei o que é isso, mas eu queria você do meu lado, deitada ali comigo, me abraçando e vendo as mesmas coisas que eu via naquele momento. Escutando o céu no tom certo.

   Eu estava ali, doente, com moletons cobrindo até o que faltava de mim, sozinha. O pior é que eu parecia me derrubar em prantos por dentro, mas por fora... Por fora eu estava um mar de nada. Um mar de nada em contraste com o tudo que aquele céu queria me dizer. Uma das coisas que o mundo ali fora me dizia, era pra olhar os prédios e ver como as coisas cresciam, não entendi muito bem, mas entendi. Enquanto o céu faltava pouco gritar: “Luana, essa hora da noite, ela não está pensando em você”. Eu não quero saber se está ou não, tanto faz, isso é outra história, isso não parte de mim, o mundo inteiro já me faz lembrar e repete o tempo todo: “Luana, você está sozinha”.

   Eu estava ali, doente, sozinha, querendo atenção, sentindo o vento acariciar meu rosto. Olhando pro céu sem entender nada, só vendo a imensidão. Era noite, as cores não enganavam... O quarto escuro, a cama branca e vazia me lembrando: “Luana, você está sozinha”. E com tanto aviso, tanta coisa passando pela minha cabeça, tanta coisa pra me preocupar, eu ficava lembrando da sua risada gostosa, do seu sorriso bonito e dos seus braços quando me acolhiam.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Madrugada


Finjo não estar aqui
Pois não quero que perceba
Assim tão perto e longe
Não quero atrapalhar
Esse teu sono tão bonito
Sono, sonho e luar

Fico aqui como anjo da guarda
E te toco com o vento lá de fora
Sussurro nos teus ouvidos
O silêncio da madrugada
Beijo tua boca até secar
Teu mar rosa, rosa cor de mar

Ainda sim não acordarás
Do teu sono leve de cinco penas
Mas quando acordares, já terei partido
E tua cama de ponta a ponta revirada
Quando pensares que sonhaste comigo
Não foi sonho nada, ali mesmo eu estava

Com sorrisos correrás teu dia
E cada ruela que passares, estarei lá também
Fingindo ser uma “qualquer pessoa”
Que não sabe nem onde está
Pra passar despercebida
O dia todo, todos os dias

Pois é de noite que te vigio
Quando deitas em tua cama
E logo fecha os olhos
Para o escuro não ver
Estou lá bem quietinha 
Mais uma noite a te zelar

Então dorme, minha menina
Dorme logo e bem calminha
Pra poderes me escutar
Não sei bem fazer poesia
Não sei bem como rimar
Mas me encanta te amar.

domingo, 24 de outubro de 2010

Desabafo






Ninguém quer confissões aqui. E nem é, sabe? E nem é importante... Só um pouco... Um pouquinho. Como se ela tomasse um copo de cerveja, fumasse um Marlboro e mandasse uns três tomarem no cu. É mais ou menos isso... Isso aqui. Que não pretende ser confissão nem lembrança. Nem emocionante, nem inteligente. Nem valerá a sua presença aqui..

E não quero mais o que não posso ter. Assim estamos livres para sermos um. Só isso. Comuns são os casais. Nós não somos nada. O problema é que quero muitas coisas simples. Então pareço exigente. Não posso fazer nada. Então choro, paro, espero, te esporro com mil xingamentos. Você pode se divertir, você pode ter pena de mim.

Vamos...Vamos logo subir essa escada que leva o amor ao último andar. Então vamos. Segura firme no corrimão. Respire fundo. Subir tão alto dá vertigem e olhar para trás deixaria-nos cair. Os erros são medusas. Arrancam as nossas lembranças boas e tatuam os desaforos e mágoas. Por isso marche. Sinta o meu perfume enquanto o tempo sopra esse bafo de mudança.

Lembre-se ou esqueça-se de mim. Coração quebrado tem cura. A paz de não precisar mais aguardar a perfeição que não existe. Quero somente amortecer os erros e mudar de idéia. Quem sabe o por quê do que?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

As cores



Desaparecer... Isso soa mais agradável quando escuto o vento que insiste em cantar ao bater na persiana da janela desse lugar. É um canto macio com puxadas bruscas, que leva meu pensamento, tira de mim o barulho e o silêncio, esquece de mim assim como lembra, odeia e ama, vira e desvira, apaga e reescreve. Reescreve cada vez mais torto mesmo estando bonito, arranca os pedaços da página e devora-as.
Quero o nada... Quando procuro o nada, vejo como o preto, porém é branco de luz forte – confuso, eu sei – muito forte. Digo, o preto é ausência de cores, deveria ser meu nada, mas não... Até mesmo meu nada tem alguma coisa. Esse branco de luz forte, tudo ao redor é assim, e não é como se não existisse gravidade, apenas não existe direção. E quando saio do meu corpo, vejo que o nada é imenso, quanto mais me afasto do meu corpo, menos vejo onde estou. É o nada sem fim. Se eu volto ao corpo, fico cega por tanta claridade.
Virei cinza... Agora que sou cinza – vamos lá, não é branco ou preto – sou cinza... Não sou ausência das cores como o preto e também não sou todas as cores como o branco. E o que eu sou? Um metal gelado e brilhoso que fala como os antigos, e ama intensamente: o preto, o branco e o cinza.

domingo, 10 de outubro de 2010

21 pontos das minhas noites

Acho que não existe amor mais, coisa assim. Deito pra dormir e tenho vontade de chorar a noite toda. Durmo quando o sol aparece, acordo quando escurece. Converso um pouco e continuo com a mesma sensação. Não por causa disso, mas eu nunca tive vontade de viver. Deito outra vez com vontade de chorar. Às vezes parece que você está do meu lado querendo me abraçar sem poder. Consigo dormir normalmente, acordo ainda é dia. Passo o tempo trancada no quarto com as persianas fechadas. Aqui dentro é tudo escuro, aqui dentro é bem vazio. Dói.
   Passo o dia cansada de nada, com sono. Fumo quase um maço inteiro todo dia, um câncer querendo destruir o outro. De noite o cansaço some, só existe minha varanda, o céu e você que não está ao meu lado. Eu não existo mais, nem vivo também. A lua está linda hoje, queria que você visse também, aqui. Perdi a hora enquanto estava lá fora, mas na verdade não perdi nada, não tenho nada a perder. Volto pro quarto e me tranco, tranco tudo, tranco com mil chaves. Ando aqui dentro pisando nas palavras que eu escrevo, esmagando qualquer coisa que eu sinto ou “penso em sentir”. Acho que não existe amor mais, coisa assim. Deito pra dormir e tenho vontade de chorar a noite toda.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Apesar dos apesares



Apesar de ter me cansado por não poder sair do lugar, apesar de ter me cansado fazer\falar coisas impulsivamente e acabar ferindo a ti, de ter me cansado por me prender\cativar\agarrar automaticamente contigo de tal forma que me tornasse quase um animal truculento semi-domesticado que não aceita a presença de outros, por não poder ser\ter tudo pra tornar-te a pessoa mais feliz de qualquer lugar habitado ou já habitado... Por eu ter meus mil defeitos camuflados que quando se mostram, saem à tona, explodem atingindo dimensões quilométricas do que eu sou, do que tu és e do que és pra mim, assim como do que sou pra ti. Apesar de me sentir incapaz e saber que realmente sou... Tenho meu maior apreço pelo que não somos nós, pelo que não seremos e nunca fomos.
 Ainda sim, sentindo o que também sei que sentes por mim, sinto-me inútil, inabitável e inábil a tal amor que talvez – e enfatizo meu “talvez” – não devesse existir, assim como eu. De fato, eu me sinto inválida, apesar das mil e uma utilidades (como dizem por aí). Às vezes falo comigo mesma que, já que existo, ao menos deveria fingir não existir: isolar tudo o que eu sinto e não deixar que os outros percebam nem mesmo uma gota dos pontos finais ou vírgulas dos meus sentimentos (profundos ou não).
 Talvez, de alguma forma, eu esteja mesmo pagando por uma “vida passada” em que tive muito amor e acabei me dando o luxo de pisar a ponto de esmagar. De qualquer forma, carma ou não, apesar disso tudo, apesar de tantos outros motivos, não sei deixar de pensar em estar ao teu lado, mesmo não sabendo o que é estar.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Vigília










         Um aceno e um sorriso sem graça. Aperto de mãos e dois sorrisos sem graça. Um leve abraço e a pergunta costumeira “tudo bem?”. Beijo no rosto e nada mais. Um abraço apertado, outro beijo no rosto e longas horas de conversa. Um abraço apertado e olhos dentro de olhos... Significado literal: “seja bem-vinda”. Confidências. Piadas falhas. Sorrisos vezes sem graça, vezes encantados. Freqüente dilatação das pupilas em cada brisa nas madeixas, a cada mordida nos lábios, a cada pequeno movimento, como uma droga injetada diretamente no coração fazendo palpitar desequilibradamente, desordenadamente, desnorteadamente. Era o leve toque daquelas mãos nas minhas.
   Músicas calmas e dias chuvosos, vento na janela e cama espaçosa, olhar demais para o céu e o mar... Coisas que detesto amar sozinha e se não tu entendes, não entendes meus textos, temo dizer que não entendes a mim também. Já deveria saber, num intervalo de hoje, amanhã e uma segunda-feira, o tempo passa rápido, mas nas madrugadas solitárias com quatro mil luas brilhando na janela, o tempo pára, as nuvens caem e forram completamente o chão. Num momento de êxtase como esses, a chuva cai ao contrário enquanto piso em falso. Inversão de pólos. Era uma semana numa madrugada só, eram projeções da mente que se lançavam nas quatro paredes do quarto.

domingo, 26 de setembro de 2010

UM ANO, DOIS VERÕES

O ÚLTIMO DIA DO OUTONO



Hoje eu tô sozinha
E não aceito conselho
Vou pintar minhas unhas e meu cabelo de vermelho
Hoje eu tô sozinha
Não sei se me levo ou se me acompanho
Mas é que se eu perder, eu perco sozinha
Mas é que se eu ganhar
Aí é só eu que ganho

Hoje eu não vou falar mal nem bem de ninguém
Hoje eu não vou falar bem nem mal de ninguém

Logo agora que eu parei
Parei de te esperar
De enfeitar nosso barraco
De pendurar meus enfeites
De fazer o café fraco
Parei de pegar o carro correndo
De ligar só pra você
De entender sua família e te compreender
Hoje eu tô sozinha e tudo parece maior
Mas é melhor ficar sozinha que é pra não ficar pior
.


sábado, 18 de setembro de 2010

Restabelecimento



Deitei naquela cama durante horas entre aquelas paredes de concreto, aparelhos e tubos de remédios. Durante horas me perguntei se era possível preencher vazio com vazio e confesso que não cheguei à resposta alguma, mas aquela sensação de que todo meu vazio estava sendo preenchido com nada continuava. É, isso mesmo! Preenchido com nada! Também não consegui entender o que acontecia, apenas acontecia. Trocava os canais da televisão de segundo em segundo, não sossegava por nada, procurava alguma coisa que não estava ali naquele caixote eletromagnético. Em quatro momentos daquela noite que me mantive acordada e inquieta, pensei ter sentido alguém tocar meu rosto... Alguém tocou meu rosto, um toque extremamente quente em uma pele tão gelada.

– Luana, você não está melhorando, está?

   A pergunta era um tanto óbvia, mas o simples fato de ter perguntado já era muito mais que alguma coisa, muito mais que apenas nada. Eu tinha muitas vontades naquela noite... Vontade de beber demasiadamente, fumar até me faltar ar, fazer alguma coisa bem louca, correr embaixo de chuva sozinha e sem direção. Mas quando aquela mão segurou a minha... Ah, aquela mão! Todas as outras vontades caíram no chão quebrando em pedaços todo aquele piso azulejado.
   Acredita que o toque de uma mão na outra consegue derrubar tanta coisa sem sentido? Mas acredita também que o toque da mesma mão nessa outra mesma mão consegue fazer ter mil vontades loucas de puxar e correr o mundo inteiro? Parece que as coisas sem sentido tomam um rumo novo quando uma mão toca a outra. Eu acordei, e a geladeira está vazia, a última gota de cerveja se foi há pouco, era sonho, agora o desejo de que alguém segure minha mão logo e me tire dessa enfermidade horrível está me consumindo por completo.


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Dream

Pelas paredes do meu quarto ouço passar o tempo, vejo o som de quem não queria estar ali, sinto tudo e nada sinto. Crescem lírios em minha janela. Me deito para então você encontrar (...) Presa em meus pensamentos nada seus, sou levada a ver o quão manipulador isso pode ser. Tal dor exacerba, não deixa-me abrir os olhos. Havia tomado uma dimensão imatura em meus ignaros pensamentos. Me via presa, você estava ali, atirando estacas em meu, agora inflamado, coração.

Superego, talvez, mas não suportava tal coisa que transcendia a realidade. Queria acordar mas me via morrer...e há diversas mortes que permeiam nossas vidas. É o paradoxo da felicidade que vivemos a procura da dor. O amor é o ápice da loucura e a imaginação, provavelmente, a maior força a atuar sobre os nossos sentimentos. Foi hoje, amanhã o que será? Vou viver acordada.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O amor que eu guardei




O problema de sumir é que quando a gente volta tem que explicar o sumiço. E explicar o sumiço dá muito trabalho, você sabe. Como hoje estou um pouco exausta, podemos pular essa parte? Faz de conta que continuo vindo sempre aqui. Faz de conta que temos trocado confidências, que o tempo não passou, que os cabelos não estão ficando maiores, que o sorriso de hoje é o mesmo de 10 dias atrás, sem nenhuma marquinha na boca, sem nada estranho que lembre que o tempo passa. E como passa. O tempo passa muito, passa rápido, passa rindo da gente.
  

Hoje eu não quero falar de amor. Quer saber por quê? Todo mundo fala de amor. As pessoas amam plantas, vizinhos, objetos, pessoas, sorvetes, cervejas. O que era pra ser amor se tornou apenas uma palavra. O que era pra ser um sentimento se tornou uma coisa. Uma simples coisa. Como podem fazer isso com o amor? Me explica. Você pode? Olha pra mim e me explica. Mas me olha mesmo, tô cansada de palavras soltas, ando sedenta por olho no olho.Estou desconfiada. O cabeleireiro novo me chama de amor. Entro na loja e a vendedora diz sorrindo "oi, amada". Não quero ser o amor de quem acabei de conhecer e entreguei meus lindos cabelos. Não quero que a vendedora me olhe e diga "amada, essa calça ficou linda em você". Desculpe, é que tenho um profundo respeito pelas palavras. Nunca na minha vida disse eu-te-amo sem sentir. Quem eu amo, amo. Para quem a gente não ama existem tantas coisas: gosto-muito-de-você, gosto-de-você, eu-te-adoro, você-é-importante-pra-mim.Por que ficam usando o nome do amor em vão? Olha, eu sou careta. Eu só amo quando digo. E só digo quando amo. Demorei tanto para sentir o amor. Deve ser porque demorei muito para descobrir o que ele, afinal de contas, era. É lógico que a gente se engana. Alguns sentimentos se “travestem” e a gente pensa que eles são amor. Depois, na hora do vamos ver a gente descobre o que existia por baixo deles. Surpresa! Não era amor, era apenas uma coisa qualquer. Não que eu esteja desmerecendo os outros sentimentos. Muitas emoções podem ser lindas - e são - sem chegar nem no dedinho do pé do amor. Tudo bem, sentir é tão bonito, mas o amor vai além. Você entende? Só quem sente entende. Sofro tanto de “sincericídeo” que já disse não-te-amo-ainda-mas-quando-te-amar-te-falo. Sim, já disse isso e prefiro ser assim do que sair por aí dizendo que amo, amo, amo, amo da boca pra fora. Eu-te-amo não é com-licença-por-favor-obrigada. Não é palavra mágica. Tem que vir do coração.
Amor pra mim é aquela vontade da gente se fundir com o outro até o mundo terminar. Tem um quê de desespero, pois a gente tem medo da perda. Tem um quê de descontrole, pois ninguém tem domínio de um sentimento tão puro quanto esse. Tem um quê de coragem, porque a gente passa por cima de muitas coisas. Tem um quê de paciência. Tem um quê de cumplicidade. Tem um quê de segredo. Tem uma pitada de muitas coisas. Amar é perder o nojo, pois amando a gente percebe que o outro é uma pessoa - e as pessoas são sujas de vez em quando. Amar é abrir os braços e ir - sem saber o que existe mais adiante.


Tem muito casal que se conhece hoje e amanhã já tá se amando. Tem muito amigo que se conheceu ontem e agora distribui eu te amos a todo instante. Pra amar, tem que conhecer. Pra amar, tem que se perceber. Pra amar, tem que doer um pouco. Porque dói, é uma descoberta, é uma mudança, é um se ver no outro, é um ver o outro exatamente como ele é - e ainda assim amar. Tem muita gente que ama torta de maçã. De novo, o amor na boca. Espera. Guarda o amor pra outra ocasião. Guarda o amor pra quando for sentimento. Guarda o amor pra quando for verdade. O mundo hoje está assim: todo mundo diz que ama alguma coisa sem ao menos saber o que significa a palavra amor.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Cama vasta

Coração tão pequenininho e apertado, quase vira pó, esmaga tanto que dói. Cabeça tão pesada, tão pesada que me deixa pequenininha assim. Corpo tão cansado, cansado assim, que deixa sem força até pra sair da cama. Não há nada mais a fazer, nada mais além de olhar as sombras da cortina no teto do quarto escuro, as coisas estranhas que parecem surgir nos cantos e as brincadeiras que os olhos me pregam.
Posso te mandar um recado e chamar p’ra deitar aqui ao meu lado? Em meio a esses lençóis, almofadas e travesseiros... Fico perdida aqui e tão pequenininha. É... Eu me sinto assim sem você comigo, quero saber até quando, logo eu, tão “forte” e “cheia de si”. O que você faz comigo, menina? Qual é seu encanto? E o que a gente sente é tão grande que mal cabe dentro de mim... Tão pequenininha, parece que vou explodir. Explodir em mil pedaços que parecem um só. É, eu sou assim, você sabe e ninguém mais precisa saber. Mas quando tiver você por perto, serei tão grande... Mas tão grande que o mundo inteiro caberá dentro de mim só pra te dar tudo. Um monte de frase bobinha que talvez não faça muito sentido, um monte de frase bobinha que sai de dentro de mim... Assim, tão pequenininha.